Menos música e mais dinheiro no fenômeno de robotização das bandas

Hoje vi que eu só sei que nada sei…

Estava conversando com o meu amigo Osvaldo e comentei sobre o meu post de sábado e disse que tinha a impressão de que o Franz Ferdinand produzia apenas hits. Não que isso seja algum demérito, na verdade o Franz facilmente é uma das minhas bandas favoritas, estava apenas comentando sobre uma característica deles. Osvaldo então me fez uma pergunta interessante:

“Mas essa característica é da banda ou imposta pela gravadora?”

Confesso que não sei a resposta para essa pergunta. Não sei se Alex Kapranos sempre teve dom para ser um gênio do pop dançante ou se ele foi direcionado para fazer isso. Mas ao levantar essa questão, Osvaldo me fez lembrar de outra banda. Senhoras e senhores vamos então à verdadeira pauta desse post, o “Caso Bastille”.

Bastille é uma banda pop britânica que se juntou em 2010 formada por quatro rapazes (três bonitos e um bizarríssimo que parece a Velma de barba). O grupo lançou o seu primeiro álbum, intitulado “Bad Blood”, em 2013. Até aí tudo bastante normal (menos o cara que parece a Velma de barba). O problema é que as músicas que eram bastante charmosas e sinceras em versão acústica precisaram se tornar um pop eletrônico genérico para poder entrar no CD.

compare:

“Overjoyed” versão acústica:

“Overjoyed”, a mesma música, na versão ridícula que entrou no CD:

É fato que música eletrônica vende e as gravadoras não são instituições de caridade e  precisam de retorno financeiro para conseguirem se manter. Mas será que não existiria mesmo público para o “Bastille” original e ele precisava ser transformado no novo “Maroon 5” para poder vender? (Por falar em “Maroon 5”, lembram quando eles ainda tinham um som rock alternativo antes de ser necessariamente música de balada?)

E a questão é: as gravadoras cospem produtos iguais uns aos outros porque as pessoas querem ouvir músicas assim ou o público geral consome esse gênero de música porque é o único tipo que lhe foi oferecido? E do outro lado do disco? Será que os artistas se contentam apenas com dinheiro e visibilidade, calando a verdadeira manifestação de sua arte?

“Flaws”, a música deles que mais gosto, em versão acústica.

Arte é feita de interpretações e expressões individuais. A partir do momento que tiramos de um produto tudo aquilo que poderia lhe ser peculiar para torná-lo “consumível” e genérico não estaríamos nós esvaindo a mais pura expressão de humanidade justamente de seu elemento humano? Se manifestar artisticamente é intrínseco ao homem. Mas parece que tem se tornado cada vez mais difícil fazer isso propriamente.

Conclusão: A conclusão é que eu terminei esse post com mais perguntas do que quando comecei.

Teria o Professor Astro as respostas?

Teria o Professor Astro as respostas?

P.S. pra quem não lembra da Velma:

velma

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4 pensamentos sobre “Menos música e mais dinheiro no fenômeno de robotização das bandas

  1. silentalec disse:

    Não é o seu posto que é bonito, tá, é o seu post xD

  2. silentalec disse:

    Oi, vim aqui comentar seu posto bonito e causar ~polêmica~, por motivos hehe.

    Então. Caso Bastille. Eu não concordo muito que as músicas acústicas sejam mais “charmosas” ou menos “especiais” das que entram no álbum. Para mim, parece que é da substância de seu perfil como artista misturar elementos do eletrônico, do sintético, com a música pura, o rock e os elementos pincelados de coral que eles gostam de usar. Este é um diferencial deles.

    Não nego que eles têm um dom para as versões acústicas – eles têm (cf. o cover de We Can’t Stop), mas eu as acho um pouco… mais do mesmo? Não consigo dizer que é o Pompeii só por ouvi-los, poderia ser qualquer um com barbershop quartet. Agora, as músicas de estúdio com os elementos “elétricos” tem um pouco de sua mágica. Eu não acho de errado modernizar-se para caracterizar-se. Existem DJs sérios que produzem músicas sérias e MUITO legais, sem preocupação NENHUMA com as vendas (Segal, por exemplo, ANAMANAGUCHI – não sei se é DJ, mas a linha de raciocínio é a mesma -, etc.).

    E existem muitas bandas hoje que recorrem pouco ou quase nada ao elétrico, e buscam ser diferentes de outra forma. Imagine Dragons, Arctic Monkeys… Adele!, hehehe.

    Concordo com o que disse sobre Maroon 5, tho. Eles se desnaturaram completamente. Gostava deles antigamente :'(

    • Gabriela N. disse:

      Então, eu fico um pouco em dúvida se de fato a mistura eletrônica seja algo próprio deles ou uma imposição da gravadora para a inserção em um mercado, entende?

      A minha crítica não é quanto à modernização, e sim com a aparente “imposição” para modernizar-se atualmente, apesar de que essa opinião pode ser parcial também, afinal eu pessoalmente não gosto música eletrônica.

      Maroon 5 = uma saudade

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