O glamour de Las Vegas nos anos 70, a manutenção de ícones e uma paródia bizarra de “O Rei Leão”: Resumo da Semana de Moda de Paris

Hoje vi que o post vai ser cheio de glamour, meu bem.

Paris é a capital da moda. Todo mundo já ouviu isso, certo? Por mais que o eixo fashion tenha se espalhado por outras metrópoles como Milão e Nova Iorque e atualmente não faça mais muito sentido dizer isso, a relação histórica de Paris com a nata da indústria têxtil se mantém viva no imaginário das pessoas.Um império construído em cima de musseline, brocados e muita choradeira, o berço das grandes maisons respira moda durante duas semanas no ano. A atmosfera da cidade muda para receber milhares de fotógrafos, modelos e desfiles e o que acontece ali tem o poder profético de dizer o que veremos nas ruas pelos seis meses seguintes. Senhoras e senhores, coloquem os óculos escuros e caprichem no bate cabelo porque a pauta de hoje é quente: o Verão Haute Couture 2014 apresentado na Semana de Moda de Paris.

VALENTINO

(Disclaimer: estou me esforçando até o limite da sanidade para manter o distanciamento jornalístico ao falar de Valentino)

Enquanto a coleção de verão anterior da marca nos mostrou uma silhueta lady like com inspiração elizabetana sem perder a fidelidade aos ícones da maison, a coleção presente vem… diferente. Exceto por um modelo ou outro que não fazem o menor sentido de estarem alí com as outras peças, como o longo fluido estampado com notas musicais que saiu direto da passarela para o tapete vermelho do Grammy trajado por Kate Perry, a coleção toda parece o figurino de um filme de fantasia com o safari das ninfas (recatadas e sérias) da floresta. As cores vêm quentes, terrosas e a inspiração africana é didática até demais. A compostura da mulher Valentino está lá e embora seja interessante ver a marca brincando fora de sua zona de conforto é impossível de notar que o saldo geral da coleção parece um tanto quanto confuso, desnecessário e… passe.

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Não, espera, vídeo errado.

Agora sim.

JEAN PAUL GAULTIER

O verão anterior da maison teve aquela vibe Aladin-pirata bizarríssima (“David Bowie curtiu isso”) e este ano nós tivemos… borboletas! Borboletas por toda parte! Nos cabelos, nos cortes ousados, nas cores, borboletas EM-TODA-PARTE! E foi divertidíssimo. O desfile teve uma atmosfera de Moulin Rouge circense e para completar teve a aparição de Dita von Teese em um delicioso corpete de… borboleta! E você já entendeu que vai usar cetim colorido no verão, certo? (Ou sei lá, você pode seguir a outra proposta usar um saco marrom (???) que nem a Valentino te sugeriu).

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ELIE SAAB

Elie Saab continua empenhado em fazer as roupas que a gente sonha em ter. E basicamente é isso. Sem muita inovação e nenhum conceito, bordados de babar e vestidos deslumbrantes. Tudo muito lindo e bem acabado. Apesar de a paleta de cores ter sido um pouco mais ousada dessa vez, não deixa de ser tudo mais do mesmo. E eu acho que vai ser assim pelo resto da vida.

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ARMANI PRIVÉ

Depois do colorido oriente chique da coleção passada a atual vem toda trabalhada no Radiant Orchide do jeitinho que a Pantone gosta, do jeitinho que a Pantone quer. Brincando com diferentes materiais a coleção se mantém coesa em variados tons de roxo e muita gravataria, misturando anos 20 e Índia. Bonita e suntuosa.Tudo bastante usável, não vão ser necessárias muitas releituras e interpretações para adaptar ao prêt-à-porter.

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DIOR

Enquanto o verão passado foi floral e leve para Dior, o deste ano vem em tons tão sóbrios que não fossem a leveza dos tecidos e o uso marcante de laise pareceria um inverno. Sem perder as características da marca, no entanto, a mulher Dior este ano está mais para “Dior Addict” do que para a jovial e brincalhona “Miss Dior”. Mas ela continua muito bem vestida, como sempre.

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CHANEL

Se a coleção passada da marca estava ousando um pouco mais, beirando o surrealismo, essa é um total resgate aos ícones da maison. Karl Lagerfeld prova que é o sucessor definitivo de Mademoiselle Chanel ao se manter fiel à imagem quase mítica da marca fazendo com que tudo soe ao mesmo tempo tradicional e deliciosamente contemporâneo. Apesar de as pérolas terem dado seu lugar à tênis coloridos, estão lá o tailleur, o tweed e as camélias em uma mistura clássica quase fetichista da marca que sempre é a primeira a ser lembrada quando se pensa em mercado de alto luxo.

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VERSACE

E agora a coqueluche da semana. A coleção mais incrível, na minha opinião, foi a da Versace. A coleção anterior foi marcada pela saturação das cores em uma estética futurista exagerada de gosto discutível. As cores retornam esse ano, porém elevadas à um patamar de elegância sem precedentes. Em voluptuosos vestidos de cetim colorido que foi resgatado do “cantinho do brega” onde estava sentado desde o fim dos anos 80 e colocado de volta na roda do alto luxo fica bastante clara uma atmosfera “cassino glam”. E é tudo uma delícia. O desfile que abriu a temporada de moda pode ter sido o primeiro a ser visto, mas isso não impediu que fosse o último a ser esquecido. Inspirada na cantora oitentista Grace Jones, Donatella nos ofereceu uma coleção sexy, provocativa, arrojada e repleta de informação de moda. Em outras palavras, tudo o que a gente sempre espera e raramente recebe. O momento “ego ostentação” de Donatella ao adotar como trilha sonora a música de Lady Gaga que repete incansavelmente sue nome foi compreensível: ela sabe perfeitamente que arrasou e esse ano ela pode tudo. Absolutamente hipnotizante.

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RESUMÃO

Muito bem crianças. Então vamos ao nosso resumo final. Valentino despirocou e fez uma coleção muito cenográfica e chata. Gautier estava se divertindo muito com as suas borboletas e deixou todo mundo feliz no processo. Elie Saab continua fazendo as roupas de casamento mais lindas que você vai ver na vida e pra Armani o verão vai ser muito chique e ROXO. Dior quer que a gente use muito laise pra ficar fresquinha no verão e Chanel é Chanel. A surpresa da semana ficou por conta da Versace que apresentou uma coleção toda incrível e DEITOU.

COISAS QUE A GENTE VAI VER NA RUA E NAS VITRINES

Muito cetim. MUITO cetim. Repetindo: CETIM. O verão promete adotar duas vertentes: a das cores sólidas saturadíssimas e o minimalismo do preto e branco. O verão vai vir chique e luxuoso, de um jeito que a gente só estava acostumado a ver no inverno. E vai ser possível dar algumas risadas na paulista domingo à tarde com os “moderninhos” que vão acreditar piamente que “a pochete vai voltar”.

Conclusão: às vezes “visão” não é necessariamente inovação, e sim saber retomar as coisas certas.

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