Arquivo mensal: fevereiro 2014

Temporada de Inverno RTW de Nova Iorque PARTE DOIS!

Estão prontos pra continuar a ver o que aconteceu de mais legal na NYFW? Então vamos lá! Para quem perdeu, fica recomendada a leitura da Parte 1.

MICHAEL KORS

Michael Kors, a marca número um dos relógios (originais ou não) das madames e presença constante no panteão das grifes “pede pra tia trazer de Miami” trouxe para as passarelas uma coleção boho-chic, revelando o outro lado da tendência retrô, menos Cassino e mais Hair, tudo com a sobriedade normalmente associada ao inverno. Uma coleção coesa porém nada inovadora e bastante comercial.

Este slideshow necessita de JavaScript.

OSCAR DE LA RENTA

Deixando as polêmicas no inverno anterior que deu o que falar com a forte influência de Galliano sobre as peças, o sultão do suave vem para essa temporada fiel a seu ideal retrô da elegância feminina. Cinturas marcadas e uma silhueta sessentinha chegam na máxima expressão em vestidos de bolinha e não adianta a grande massa da moda apontar para os anos 70: Oscar de La Renta continua na escola do New Look e não decepciona os já fãs de sua visão sonhadora do mundo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

RODARTE

Os lenços da barraca de pintura em seda ficaram no inverno passado. Esse ano o inverno anos 70 da Rodarte as vezes fica quase 90 no seu folk-meio-grunge. O resultado é um visual adolescente de filme antigo moderninho, quase como uma nova Garota de Rosa-Shocking (“John Hughes likes that”). Bem pop!

Este slideshow necessita de JavaScript.

RALPH LAUREN

Contrariando o inverno passado coeso em sua coleção preppy vitoriana,  a coleção desse ano da Raplh Lauren vem com referências plurais. O desfile começa em uma leitura preppy de cores pop explosivas e sem muita transição caímos num cenário folk que levemente toma tons de rock e depois dará lugar ao minimalismo de cores lavadas. Se individualmente as propostas parecem conceitualmente fortes e interessantes é impossível deixar de dizer que juntas soam bastante confusas e não fica clara qual é a visão da grife para a temporada. Ou será que o conceito é justamente a confusão de referências e a liberdade de vestir o que se tem vontade?

Este slideshow necessita de JavaScript.

PROENZA SCHOULER

Se a temporada passada foi marcada pelo minimalismo em preto e branco, a grife esse ano nos traz cores, sóbrias porém ainda cores. Estava presente o azul cobalto, o verde esmeralda, o vinho… Se não é surpresa nenhuma ver essa paleta de cores em coleções de inverno inusitado foi seu uso combinado com animal print e psicodelia em modelagens oitentistas, com alguns looks que pareciam uma releitura sisuda de Physical. No mínimo interessante.

Este slideshow necessita de JavaScript.

MARC JACOBS

Marc Jacobs continua com sua identidade estética forte, porém sem cair na mesmice. engraçado porém observar que seu inverno anterior estava repleto da influência glamourosa das peles e tecidos brilhosos que vimos em vários desfiles dessa temporada. E se na temporada passada foi hora de brilhar, esse ano Marc apaga as luzes e opta pelo distanciamento etéreo de cores frias e tecidos fluidos e pela simplicidade de fibras planas em tons terrosos. E mais uma vez Marc mostra estar sempre um passo na frente de todo mundo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

RESUMÂO

Proenza Schouler trouxe uma coleção anos oitenta cheia de conceito porém de gosto duvidoso, bem diferente de Oscar de La Renta, que continua fazendo roupas para as Barbies do século 21 e cria os vestidos de baile que a gente queria ter no figurino das nossas vidas. Michael Kors, Rodarte e Ralph Lauren estão apostando no Folk. Na verdade Ralph Lauren está apostando basicamente em tudo o que é um jeito educado de dizer que não está muito confiante em aposta nenhuma. A Rodarte também traz estampas de referência à cultura pop fazendo uma ode ao adolescente geek. Marc Jacobs é visionário e entregou agora a coleção que todo mundo vai fazer no ano que vem, porque a desse ano ele já tinha feito ano passado. Ele quer ver cores frias e uma atmosfera enevoada e etérea e a vontade do rei é lei.

COISAS QUE A GENTE VAI VER NA RUA E NAS VITRINES

Não precisa nem ver todas as coleções pra entender que o estilo Cassino-ostentação do final dos anos 70 vai invadir a sua vida, né? Muito cetim, veludo molhado e cores saturadas e está parecendo que essa tendência vai permanecer por um bom tempo então vale a pena investir e aderir. A outra maneira de louvar o retrô para quem quer menos ostentação é apelar para o visual rústico cheio de bossa do folk. Também vamos ver uma alfaiataria bem acabada e muita volúpia (ui!) e sempre podemos contar com o estilo sessentinha que desde que voltou pra moda não saiu mais. Vale notar que depois de tanta luta para a liberdade de poder mostrar o corpo a tendência está cada vez mais forte para que os comprimentos das saias baixem novamente, o que não significa que as minis serão abandonadas mas sim que agora está valendo tudo.

P.S.: O post será atualizado conforme foram lançados os vídeos com os desfiles.

Etiquetado , , , , , , , , , ,

Quem você quer ser hoje? Pluralidade de estilos na Temporada de Inverno RTW 2015 de Nova Iorque

Prêt-à-porter, ready to wear, basicamente tudo aquilo que define o que conhecemos hoje como consumo de moda e é oposto à antiga arte de desenhar roupas sob medida. Foi exibido na Big Apple entre os dias 06 e 13 de Fevereiro tudo o que veremos nas lojas e nas ruas na Temporada de Inverno RTW 2015 de Nova Iorque.

Com coleções de modelagens e cores distintas entre si a semana no entanto chega em um consenso: a moda agora é o que você quiser dela. Mais do que a máxima do “seja você mesmo” a pedida agora é ser quem você quiser e ter a liberdade para escolher o figurino que melhor se adaptar ao personagem do dia. Desde que esse personagem viva nos anos 70, obviamente.

E como estamos falando de produção de massa é claro que as proporções hiperbólicas se refletem também no tamanho do evento e na quantidade de grifes, por isso optei por dividir o post em duas partes. Mas sem drama porque a parte dois vem logo na sequência! Agora então se prepara, faz carão e vem comigo conferir o que rolou de mais interessante na fashion week.

KATE SPADE

Na característica releitura cartunesca e jovem da mulher Valentino (só eu que acho isso? Risos), as meninas da Kate Spade aparentemente continuarão com seu estilo “lady like” irreverente e saturado, na tradição da marca de levar cor, diversão e romantismo para a selva urbana. Ou seja, sem novidades e mais do que as clientes da marca já amam consumir.

Este slideshow necessita de JavaScript.

JASON WU

Em um salto de elegância em relação à sua (fraca) coleção anterior, o eleito da nossa querida Michelle Obama levou para a passarela uma paleta de cores noir sexy em vestidos lânguidos que poderiam muito bem ter saído do boudoir de algum filme antigo, que contrastam com sobreposições pesadas criando uma atmosfera misteriosa, fazendo de suas modelos quase borboletas que tem de quebrar duras cascas de casulo. O uso do cetim, do veludo molhado e de um certo orientalismo não deixam dúvidas: o lado glamouroso dos anos 70 está definitivamente de volta.

Este slideshow necessita de JavaScript.

ALEXANDRE HERCHCOVITCH

A gente ama o Alexandre e fica muito orgulhoso de ver o nosso menino brilhando na NYFW, mas não dá pra deixar de dizer que parece que ele está com medo de brincar muito longe de casa. Em uma coleção visualmente bastante semelhante à anterior e  com uma paleta de cores idêntica, Herchcovitch faz um desfile muito bonito e competente e entrega um inverno brasileiro com carinha de verão , mas com gostinho de repeteco . Desce pro play, Alê!

Este slideshow necessita de JavaScript.

DIANE VON FURSTENBERG

Diane, como sempre, estava se divertindo muito. A mulher que veste suas roupas é autêntica, sensual e confortável com seu corpo e Diane continua criando peças possíveis para corpos e rotinas plausíveis sem cair na monotonia. Desnecessário dizer que ela é uma das minhas pessoas favoritas no mundo, necessário porém dizer que a coleção é semelhante com coisas que ela já fez, o que não necessariamente é ruim e pode ser interpretado como sendo a identidade forte da label. Reciclagens à parte (que no caso de Diane se justificam completamente sob o legado de libertação de seus envelopes) a coleção estava coesa,prática, bonita e bastante alegre. E dourado, metálico, anos 70/80? Você já entendeu, né?

Este slideshow necessita de JavaScript.

CAROLINA HERRERA

Carolina Herrera saiu do seu jardim oriental do inverno passado e nos mostrou uma coleção diferente. Ainda que vestidos fluidos de estampas pequeninas ainda dividam o espaço com peças chamativas de cores sólidas, o perfume desse ano é o de uma housewife sessentista. Se a tendência nos puxa para o final dos anos 70, Carolina Herrera atrasa mais ainda o relógio e nos leva para a década anterior. Interessante e elegante.

Este slideshow necessita de JavaScript.

DONNA KARAN

Fugindo totalmente da sobriedade e dos tons terrosos do inverno passado a estação de Donna Karan vem sexy equilibrando cortes de alfaiataria que remetem ao universo masculino com a leveza e suavidade das transparências. Muitas fendas e tecidos acetinados dão o tom setentista glam  E VOCÊ NÃO AGUENTA MAIS LER ISSO.

Este slideshow necessita de JavaScript.

ZAC POSEN

Se Hitchcock ainda estivesse vivo ele convidaria Zac Posen para assinar o figurino de seu próximo filme. Com a sobriedade de tons noir e vestidos acinturados seguindo a escola do New Look, Zac Posen entrega uma coleção totalmente diferente da anterior, bem mais rebuscada, e dessa vez opta pelo uso de cores sólidas deixando o impacto por conta de seus cortes. A coleção se destaca em meio a tantas outras que bebiam nas mesmas referências setentistas e conquistou o posto de uma das melhores da semana. Zac Posen continua materializando sonhos através de suas roupas e se isso não é alta costura não sei o que é.

Este slideshow necessita de JavaScript.

RESUMÂO

Kate Spade continua fazendo as mesmíssimas coisas pro mesmíssimo público da marca que já é cativo. Jason Wu fez uma coleção de alto nível e elegante, com tons noir seguindo uma linha parecida de Donna Karan, com o diferencial da alfaiataria provocante da última. Sexy! Alexandre Herchcovitch tá em alguma zona de conforto mas a gente ama ele mesmo assim. Diane é Diane e enquanto ela continua fazendo roupas práticas para a mulher que trabalha fora e conquistou o mundo,Carolina Herrera volta para o lar e se inspira em Amélia, que era mulher de verdade. Zac Posen colocou as recalcadas pra dormir na BR com a sua coleção de extremo bom gosto e acabamento impecável, criando coisas tão lindas que dá até pra imaginar a princesa Grace Kelly as vestindo.

P.S.: O post será atualizado conforme foram lançados os vídeos com os desfiles.

Etiquetado , , , , , , , , , , , , ,

Ah saias, malditas saias! Polêmica e pluralidade na exposição “Flavio de Carvalho: a experiência como obra” na Oca

Balonê, evasê, godê, mini, midi, maxi… poucas peças de vestuário deram margem à tantas interpretações diferentes quanto às saias. Não basta que sejam constantemente reinventadas, as saias parecem ter uma vocação natural para a polêmica: cada renovação é um flash.

Mais uma vez associadas à movimentos revolucionários dessa vez parece que as mesmas que libertaram as perninhas das moças em 1965 querem comprar brigas ainda maiores, que vieram à tona mais uma vez com o caso do funcionário público que resolveu ir trabalhar vestindo a saia de sua esposa. Se a minissaia está ligada de modo indissociável aos movimentos de libertação sexual feminina o uso de saia pelos homens flerta com questões ainda mais polêmicas: as tais “coisas de menino” e “coisas de menina”.

André Amaral em seu work look ventilado

André Amaral em seu work look ventilado

A sociedade adora delimitar regras de origens obscuras que podem até variar com o tempo, como é o caso da recente associação do cor-de-rosa com o universo feminino, mas que são inconscientemente tidas como “perenes e universais”. O uso da saia pelos homens pode até remontar às origens da civilização, mas hoje é visto como tabu pelas normas moralizantes vigentes. André Amaral pode até ter sido bastante arrojado no seu look de trabalho, mas não podemos ignorar que já teve gente fazendo isso há muito tempo.

As saias que já vestiram de Marc Jacobs à Caetano Veloso foram anarquicamente retratadas em um passeio do multi-artista Flávio de Carvalho pelo Viaduto do Chá em 1956. Numa época onde as mulheres ainda eram amélias e começava a fervilhar o sentimento que levaria à retomada de movimentos feministas nos anos 60, Flávio de Carvalho não foi apenas moderno como chocou ao adotar o uso do mais impactante símbolo feminino dando força à signos que eram (e ainda são) estigmatizados, associados à fragilidade e inferioridade.

Flávio de Carvalho dando um rolê em São Paulo com seu New Look

Flávio de Carvalho dando um rolê por São Paulo com seu New Look

E justamente sobre Flávio de Carvalho, uma figura ilustre do modernismo brasileiro, que se realiza uma exposição na Oca a partir de hoje. A mostra, organizada por Afonso Luz e intitulada “Flavio de Carvalho: a experiência como obra” retrata múltiplas faces da produção do artista que atuou como arquiteto, cenógrafo, teatrólogo, pintor, desenhista, escritor, filósofo, performer, músico…

A mostra fica em cartaz até o dia 30 de março e naturalmente conta com o New Look masculino.

Conclusão: as sainhas podem até parecer ingênuas, mas não se engane: elas jamais se acomodam.

“Flavio de Carvalho: a experiência como obra”
OCA – Parque do Ibirapuera
Av. Pedro Álvares Cabral – Portão 3
De 5 de Fevereiro à 30 de Março
De terça à domingo, das 9:00 às 17:00
Entrada franca

Etiquetado , , , , , , , , ,

Informes e comunicados para a fase 2 do blog!

E chegou ao fim o curso de Jornalismo Cultural da Belas Artes…

Como a maioria de vocês sabe, o blog foi criado como projeto do curso para a publicação dos textos escritos durante o mesmo. Mas eu me apaixonei. Então o curso pode ter terminado, mas o blog vai continuar!

No entanto a periodicidade será alterada, mesmo que temporariamente. A publicação dupla diária (às 9:00 e às 17:00) não será muito viável por enquanto, então o blog será feito em um ritmo mais lento para manter a qualidade. Assim que a nova periodicidade for definida eu informo vocês.

E vocês viram que agora meus textos foram parar no Culture-se? Pois é, agora eu sou colaboradora oficial de um portal de cultura!

recorte portal

Reconhecem os destaques da página? #VenciNaVida

Trilha sonora pra quem já venceu na vida e quer ostentar o momento:

Conclusão: Visibilidade #agrega.

Etiquetado , , ,