A graça e a beleza de não precisar voltar sozinho pra casa

Hoje é quinta feira, dia do trabalho, feriado de novo. E eu ainda me pego pensando no que fiz no feriado passado.

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Assisti à “Hoje eu Quero Voltar Sozinho” na quinta anterior à Sexta Feira Santa e fiquei completamente apaixonada pelo filme, que conta as pequenas-grandes aventuras adolescentes de um trio de amigos, protagonizado por Léo, deficiente visual de nascença.

O longa de Daniel Ribeiro é uma nova versão (com a mesma estética) do seu curta de 2010, “Eu Não Quero Voltar Sozinho”. A historia é a mesma mas a diferença de sentido do título já indica a nova perspectiva: se no curta o adolescente solitário se abre à novas companhias no filme também será retratada a busca por independência de Léo.

Historinhas de amor, adolescentes sendo adolescentes na escola, briguinhas com os amigos… basicamente todas as coisas que fazem a gente fugir para as colinas e que nos deixam boquiabertos com o fato de ainda passar Malhação na TV (que ano é hoje?) se convergem no milagre de dar certo nesse filme. Para se diferenciar de um romance genérico e ser uma grande obra, o longa evitou o dramalhão e optou pela simplicidade. Com muito carinho e cuidado somos apresentados à esses jovens que nos lembram de nossos amigos, de nós mesmos. E então de repente nos pegamos torcendo pelo seu primeiro beijo, entediados com a monotonia escolar, solidários ao desconcerto da primeira festa… afinal, nós já estivemos ali.

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Léo (Ghilherme Lobo) não é a versão brasileira de Anne Sullivan. Sem gritaria e rios de lágrimas, sua deficiência e as dificuldades relacionadas a isso são abordadas com realismo e praticidade. Tampouco o filme cai na teia romanesca dos amores proibidos e mostra uma perspectiva quase otimista de tempos onde ser gay finalmente será tratado com a naturalidade que merece. A imaturidade, a zoação ainda estão lá, mas nos tempos atuais não faz mais sentido escalar a Brokeback Mountain  em busca de um pouco de privacidade.

É impossível não lembrar do excelente “Azul é a Cor Mais Quente“, que também fala sobre a jornada de auto-descobrimento que se desenrola na adolescência. No entanto as abordagens são opostas e diferentemente do gosto agridoce que sentimos ao final de Azul, “Hoje Quero Voltar Sozinho” é quase como um afago. Mais do que um filme sobre as dificuldades do crescimento, o longa de Daniel Ribeiro é sobre o amor e suas sutilezas. E é lindo.

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Se as interpretações do trio parecem um pouco descompassadass no começo, com falas que não soam tão naturais quanto a atmosfera do filme permitia que elas fossem, qualquer constrangimento se esvai diante do afeto que sentimos pelos personagens. Os olhares dolorosamente familiares de Giovanna (Tess Amorim, a melhor do trio), as risadas, a presença bonita de Gabriel (Fábio Audi) na sequência da dança… Eu me senti tão conectada com esses jovens e suas histórias que eu esqueci que estava vendo um filme.

Não sei dizer se foram as luzes difusas, a trilha sonora perfeita, a história simples e cativante, não sei dizer o que eu amei nesse filme porque talvez tenha sido quase tudo. Só sei que virou favorito e entrou pra listinha dos melhores do ano.

Permanece como uma ótima opção de programa para o feriado. Você pode conferir as cidades onde o filme está em cartaz na página oficial no Facebook.

Gabriela Negro

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