“A Culpa é das Estrelas” ou “como as pessoas sempre amaram sofrer”

Enquanto os jovens dos anos setenta amaram derramar lágrimas para a trágica história de Oliver e Jenny em “Love Story”, na minha geração era consenso que “Um amor para Recordar” era  o filme para as tardes de chororô. E agora tudo indica que o próximo integrante para a liga das tragédias românticas seja o novo “A Culpa é das Estrelas”, que estreia nessa quinta feira.

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Para quem estava em Marte e não ficou sabendo da mais nova febre juvenil, “A Culpa é das Estrelas” é baseado no bestseller homônimo de John Green (aquele livrinho azul que invadiu todas as livrarias, sabe?). O romance é protagonizado por Hazel Grace, uma jovem de 17 anos diagnosticada com uma doença fatal que narra seus eventos cotidianos enquanto aguarda sua iminente morte.

Se a adolescência é naturalmente uma fase marcada por excessos e urgências, a vida abreviada de Hazel eleva esse caráter à máxima potência: cada segundo conta, cada a instante pode ser o último. E como não poderia deixa de ser, o primeiro amor está lá. E é igualmente desesperador.

O tema tétrico no entanto se dilui nas pequenas alegrias vivenciadas por Hazel e a sua paixão, o que torna a leitura do livro menos uma experiência de morte e mais uma delicada celebração da vida e dos momentos em que ela se manifesta. Não é difícil entender o porque o amor puro vivido pelos protagonistas de “A Culpa é das Estrelas” contagiou leitores de forma epidêmica e alavancou a carreira do autor aqui em terras tupiniquins, abrindo portas para a tradução de várias outras de suas obras infanto-juvenis.

O modelo é um sucesso e não tem nada de novo. Seguindo os parâmetros estabelecidos por “Romeu e Julieta”, pares desgraçados pelo destino são um elemento comum na ficção e no imaginário coletivo, afinal nada melhor do que dramas e tragédias para embalarem os corações daqueles que são tão intensos, tão cheios de vida. Talvez por sintetizarem emoções extremas essas histórias sejam justamente o que os jovens querem ver e funcionem como uma válvula de escape, uma justificativa para aqueles que amam e sofrem desmedidamente.

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Se tais amores são plausíveis na vida real ou se sua representação se torna extrema justamente por ser interrompida no auge das paixões eu não sei dizer. Só sei que o drama é intrínseco à adolescência. E nessas histórias que marcaram gerações não basta que o amor supere barreiras sociais, para se provar forte ele também tem que comprar uma briga com a inevitabilidade da morte.

Esse post poderia ter vindo ao ar com o patrocínio de Kleenex.

Gabriela Negro

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