Liberdade em mil milhas

Confesso que estava com um pouco de preguiça para assistir à “Livre” ( Wild – 2014). Estava certa de que seria o filme mais chato da Award Season e já nutria expectativas de encontrar o remédio definitivo para a insônia persistente que me acompanha desde que eu me entendo por gente. Nunca fiquei tão feliz por estar completamente enganada.

wild

O filme conta a história real de Cheryl Strayed que, devastada pelo luto, entrou em um ciclo de comportamentos destrutivos. Para romper com velhos hábitos e se preparar para uma nova etapa de sua vida , Cheryl decide percorrer sozinha a Pacific Crest Trail (PCT), uma trilha que rasga os Estados Unidos e começa na fronteira sul do país com o México para terminar na fronteira com o Canadá.  Em sua caminhada solitária ela então visita as memórias de um passado difícil e tem que superar obstáculos físicos e emocionais.

“Livre” pode até não estar fazendo o mesmo barulho que seus pares em cartaz nessa temporada, mas em sua quietude emociona seus espectadores. Na aplicação prática da tal “jornada de auto-conhecimento”, Cheryl percorreu mais de duas mil milhas para tentar recuperar a sua verdade, e o que parecia ser material para mais um batido filme de edificação da alma humana surpreende e se revela um ótimo longa, fortalecido pela poderosa atuação de Reese Witherspoon e pelo talento do diretor Jean-Marc Vallée.

Reese (que recebeu merecidas indicações nas mais importantes premiações da temporada) tem a difícil tarefa de estrelar sozinha boa parte das cenas do filme e executa sua missão com louvor, entregando uma das melhores performances de sua carreira. Seria injusto também não mencionar a participação de Laura Dern que aparece em flashbacks como a solar presença da mãe da protagonista.

reese

A única falha grave do filme é o seu final piegas, pois não faz muito sentido tentar dar alguma “lição de moral” depois de passar quase duas horas retratando o quão individual foi a jornada de auto-conhecimento de sua protagonista. O que Cheryl fez foi superar seu luto e buscar a si mesma fora de soluções genéricas. Sem receita de bolo, resta a cada um dos espectadores descobrir a sua própria PCT.

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Um pensamento sobre “Liberdade em mil milhas

  1. […] Livre – indicado à Melhor Atriz ( Reese Witherspoon) e Melhor Atriz Coadjuvante (Laura Dern) […]

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