Caçadores da Arca Perdida – a primeira aventura de Indiana Jones

Estava comentando com uma grande amiga sobre a nova temporada do Cinemark Clássicos e o tanto que eu estava animada por conta de “Caçadores da Arca Perdida” (Raiders of the Lost Ark – 1981) quando ela me disse: “eu nunca vi esse filme do homem fugindo da bola gigante”. E desse modo, além de despertar em mim a obrigação de lhe apresentar essa grande obra, ela também conseguiu descrever com bastante acuidade a primeira cena de um filme que ela nunca assistiu.

São engraçadas essas manifestações da cultura pop. Certas imagens estão tão arraigadas no imaginário popular que são replicadas através de gerações e se tornam de certo modo eternas. E é nesse panteão dos personagens inesquecíveis e instantaneamente reconhecíveis que encontramos Indiana Jones.

raiders 1

Harrison Ford dá vida ao professor Henry Jones Jr, arqueólogo que em certas ocasiões pede licença de sua cadeira na Academia e percorre o mundo em aventuras para recuperar relíquias que, segundo seu julgamento, deveriam estar em museus. A magia do cinema que corre forte nas veias de Spielberg e George Lucas aliadas ao carisma de Ford transformaram o herói em um ícone.

Essa primeira aventura do personagem gira em torno da busca pela Arca da Aliança, artefato que está sendo cobiçado pela crescente ameaça nazista por conta de suas propriedades místicas. Para impedir que tamanho poder caia nas mãos erradas, o exército americano recruta Indiana Jones que se junta à uma improvável equipe de aliados na caçada pela arca.

raiders 2

Se os fatores “clássico” e “diversão garantida” não forem suficientes pra te convencer a dar uma chance para esse grande filme, também vale ressaltar que ele te leva para um passado surreal onde um filme infanto-juvenil podia apresentar personagens que fumam e bebem o tempo todo e os heróis atiram para matar, tudo isso sob a inconfundível direção de Steven Spielberg em sua melhor forma.

O engenhoso roteiro de Lawrence Kasdan (baseado em ideias de Lucas) mistura elementos de Arqueologia, Política e sobrenatural para criar uma aventura onde os heróis não perdem tempo com bom-mocismos, as meninas são boas de briga e a ação não é pautada somente na força física, mas na verdade ganha a batalha aquele que conseguir ser mais esperto. E é a aventura mais fantástica da Terra.

Update: Escrevi também uma análise mais aprofundada do longa em Caçadores da Arca perdida – dentro do Poço das Almas

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8 pensamentos sobre “Caçadores da Arca Perdida – a primeira aventura de Indiana Jones

  1. […] meu post sobre “Caçadores da Arca Perdida” (Raiders of the Lost Ark – 1981) rendeu tanta conversa que fiquei com vontade de mergulhar no Poço das Almas e aprofundar alguns […]

  2. Bruna Mels disse:

    Nunca vi esse filme também, acredita?!

    • Gabriela N. disse:

      Bruna é TÃO divertido!! Recomendo mesmo!!! Tentei me controlar no post pra manter a objetividade e talz… mas confesso que o filme é um dos meus favoritos absolutos! Top 5 facilmente!

  3. “ela também conseguiu descrever com bastante acuidade a primeira cena de um filme que ela nunca assistiu.”
    É exatamente isso. Caçadores da Arca Perdida é uma coisa tão grande, que eu devo ter visto uma vez só, quando criança, e praticamente tudo era familiar quando fui assistir agora (apropriadamente em tela grande). Mas não é só o fato de que já conhecemos o personagem: o Spielberg faz um trabalho absurdamente eficiente de fazer com que o Indiana Jones seja um ícone antes mesmo de ele aparecer; e ao longo do filme, sempre trabalhando a silhueta, os olhos, as costas… ele é uma presença, antes de ser uma pessoa. É um bagulho de lôco. Curti muito.

    • Gabriela N. disse:

      SIM! Sim, é exatamente isso! Eu sempre bato nessa tecla quando estou vendo o filme com alguém! Não só a presença, como vc caracterizou, do herói é marcada durante todo o filme (muito para dar ares de ícone, para reforçar que ele não é “mais um” personagem), como também a tomada inicial é brilhante nesse sentido (não sei se vc reparou nisso).
      Jones é o primeiro a aparecer em cena, mas enquanto vemos o rosto de todos os outros personagens tranquilamente, ele só é mostrado de costas, aparecem suas mãos, suas pernas… jamais seu rosto (o torturador, por exemplo, já se apresenta numa honesta tomada de frente, não há nada para se desvendar sobre ele, ele é “mau” e pronto). Voltando para Jones, isso além de criar a expectativa de que vc QUER E PRECISA conhecer aquele cara, também reforça a ideia de que ele não é um cara cuja personalidade vc vai sacar de imediato , e tbm que ele é um personagem marcado pela ação: o rosto de Jones finalmente aparece quando ele desarma um de seus supostos aliados com o chicote.

      Eu vi o filme no cinema hoje com um amigo que nunca tinha visto, e foi interessante. Ele achou o filme (apesar de honestamente divertido) maniqueísta demais. E eu discordo. Acho o filme do anti-herói por excelência, e essa característica é partilhada por todos os “Raiders”:
      – Jones é o herói malandro, aquele cara que está “do lado certo” sem precisar moralizar todas as suas ações. Ele acredita que as obras devem ir para os museus e não para as coleções particulares, mas na verdade ele gosta mesmo é da aventura. É um personagem bem complexo se pensarmos nisso, de certa forma ele sempre está em conflito consigo mesmo (com questões de comprometimento, afetividade, fé…). Apesar de altamente inteligente, no fundo ele não pensa muito sobre as coisas, ele é o cara da ação. É o tal do “eu improviso pelo caminho”.
      -Marion é muito interessante, ela é independente e está sempre na dela. No começo ela tinha intenção de fugir com o dinheiro de Jones sem lhe entregar o medalhão, quando a situação aperta se une a ele (muito mais para se proteger e para continuar o trabalho do pai do que para ajudá-lo de fato), depois ela tenta embriagar Belloq para fugir de seu domínio, enfim. Ela pode até ser a favor do lado “dos mocinhos”, mas ela não age com a moral que se esperaria de um deles. Ela joga em benefício próprio e quer, sobretudo, ficar segura.
      – Belloq também é genial, ele se filia ao time que ele acredita ter melhores chances de ganhar, mas seus objetivos não são minimamente políticos. Ele é um mercenário por excelência (oposto à Jones nesse sentido), mas ele quer a arca para satisfazer sua curiosidade acadêmica (no fundo, Jones também)
      – Sallah seria o que mais se aproximaria de um típico personagem “do lado do bem”. Claro, se ignorarmos o fato de que ele está trabalhando para as escavações nazistas, e na verdade trai seus empregadores por lealdade à seu amigo (e à “boa causa”).
      O final, inclusive, acho pessimista ao extremo. Nenhum lado é o certo, a cena final é quase como se Spielberg afirmasse que política nada mais é do que o acúmulo infinito de poder… para sabe se lá exatamente o que.

      Acho que esse é o filme “família” por excelência. A mensagem “positiva” básica está lá para ser absorvida pelas crianças, mas os maiores podem absorver muito mais da obra. Apesar de tudo fica aquela coisa legal de separar os “bons e os maus” pelas suas ações, e não por algum tipo de essência de superioridade moral. É aquela coisa do “qualquer um pode se tornar herói se decidir fazer a coisa certa”.

      • Concordo. Não dá pra dizer que ele é maniqueísta, se, no fim, ninguém está exatamente certo. Nem o próprio Indiana Jones (pensando superficialmente: a quantidade de gente que ele mata sem hesitar é um absurdo).
        O foda é que, quando você tem nazistas no filme, é difícil não achar maniqueísta, hehehe.
        E eu vou dizer que ADORO esse final. É um final ao mesmo tempo absurdo (o galpão nunca acaba, as caixas são infinitas… na prática, não faz sentido) e muito pé-no-chão: é tudo bonito, bacana, divertido, e o cara legal vence e garante que os nazis não ponham a mão na Arca… mas, no fim das contas, foda-se. O poder não está no indivíduo, e sim no Estado. Acho inteligentíssimo.
        (mas posso estar exagerando, sei lá)

      • AHHH!!! Só mais uma coisa: A entrada dele, sem mostrar o rosto, já é bem legal. Mas eu gosto especialmente do vulto dele na parede do bar da Marion. A gente não precisa de mais nada… e é, sei lá, a SEGUNDA cena do “Indiana” (depois de toda a sequência na “América do Sul”)

      • Gabriela N. disse:

        Cara, SIM! A cena do bar é o melhor exemplo do que vc tinha dito no primeiro comentário. Nem eu, nem vc, nem a Marion, nem qualquer pessoa que nunca tenha visto o filme deixaríamos de reconhecer Indiana Jones por aquela silhueta. A tomada é linda, uma das minhas prediletas do filme (talvez seja a que eu mais gosto, na verdade).
        Realmente amo também a cena onde eles estão na escavação paralela, e aparece aquela tomada linda dele colocando o chapéu na frente do por do Sol.

        E você não está exagerando em nada, o final é exatamente esse! Eu sinto a mesma coisa com relação a ele!

        (to achando que isso vai render um segundo post sobre o filme…)

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