Steven Spielberg – um manifesto pela aventura

Em algum momento da minha vida enquanto garotinha reparei que todos os meus filmes favoritos eram assinados pela mesma pessoa. Desse dia em diante eu comecei a prestar atenção em quem de fato eram os diretores de cinema, e o primeiro que eu conheci foi Steven Spielberg.

Na minha vida os filmes de Spielberg sempre tiveram uma posição de destaque. Gosto deles não apenas porque muitos são de fato ótimos, mas porque para mim eles adquirem contornos um tanto quanto pessoais e representam fases, pessoas, coisas que eu vivi e senti. Mas independentemente do meu laço afetivo com sua filmografia, eu realmente admiro e aprecio a técnica e estilo do diretor.

Acho que definir as aventuras do diretor como “filmes família” não poderia ser mais adequado, porque assistidas, rebobinadas e vistas novamente, suas fitas conseguem se comunicar com todas as idades dizendo coisas diferentes para cada uma delas. Talvez isso tenha custado ao diretor a reputação de dirigir filmes “infantis”, o que pode explicar o porque agora ele anda tão “sério”, mas saber atingir diferentes públicos é um problema tão grave assim?

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Spielberg dirigia filmes despudoradamente grandes e divertidos, e sua atitude completamente anti-blasé aparentemente desagrada aos novos amantes dos filmes “sérios”, que negam a genialidade de seus blockbusters, como se ser sucesso comercial e de público fosse algum tipo de demérito em um longa metragem. Os filmes do diretor não são piores por não restringirem seu apelo a circuitos ditos “intelectualizados” e sua popularidade, mais do que planejada, é inevitável.

Spielberg é mestre em manipular emoções e brincar com todas elas da maneira que preferir, fazendo com que suas aventuras, por mais hiperbólicas que sejam, se tornem experiências muito íntimas. Seus filmes tem camadas, e merecem ser analisados dessa forma, mesmo quando na superfície aparentam ser ingênuos, nunca são apenas isso. Mas mesmo se o fossem, assumo a posição de defender que a inocência ainda tem sim seu espaço.

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Podemos lembrar de seus filmes por suas inovações tecnológicas, pelo tanto que alteraram a indústria cinematográfica, por serem fenômenos massivos que transformaram profundamente o repertório cultural ocidental. Mas talvez fosse mais justo pensar nele como um sonhador, cuja direção não tinha medo de ser julgada como pueril por ousar descobrir e reverenciar o universo.

O grande trunfo de Spielberg não são seus alienígenas, seus dinossauros ou imensos tubarões brancos, mas sim a permissão que ele dá a seus espectadores de se deslumbrarem com a vida, em seus pequenos e grandes aspectos.

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Spielberg é, sobretudo, um otimista. Isso não significa que seus filmes invariavelmente tenham finais felizes ou que o mal e o bem tenham contornos incontestáveis. Significa que seus personagens, assim como ele, nunca perdem a capacidade de se maravilhar. E maravilham-se constantemente consigo mesmos e com o mundo que os cerca.

Como uma criança que não se ressente de sua pequinês, Spielberg é capaz de contemplar a imensidão do mundo e admirar verdadeiramente a sua grandeza.

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