Perdido em Marte – um sci-fi que não é sobre adolescentes tentando derrubar governos

Numa época onde a cultura hipster insiste em dominar o mainstream com a sua noção artificial de passado, Ridley Scott conseguiu fazer o filme genuinamente mais retrô dos últimos tempos. Embalado por sucessos da era disco, “Perdido em Marte” (The Martian – 2015) é um divertido blockbuster pop.

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Em uma de suas performances mais carismáticas, Matt Damon dá vida ao astronauta Mark Watney que, deixado para trás em uma missão tripulada à Marte, se vê obrigado a utilizar todo o seu conhecimento técnico e astúcia para sobreviver tempo o suficiente para um eventual resgate ao mesmo tempo em que se mantém realista quanto a sua provável iminente morte.

Completamente não-distópico, o filme deliberadamente evita crises e dilemas que poderiam torna-lo sombrio e nos lembra que a ficção científica pode ser também um manifesto otimista sobre o progresso. O longa não quer falar sobre política, sobre lobby, sobre manipulação de mídia para perpetuar estruturas de poder. “Perdido em Marte” é sobre a luta de um homem para sobreviver em um ambiente hostil, permitindo se entregar ao deslumbramento infantil da ideia de colonizar o planeta vermelho.

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Ridley Scott revela sua melhor faceta quando trabalha com ficção científica e disso ninguém discorda. Mas talvez seja curioso observar que, de um modo geral, o diretor se mantém firme contra a corrente de realismo que parece ter virado regra em Hollywood.

Enquanto os indies são cada vez menos independentes e as biografias permanecem como as estrelas das temporadas de premiação, acho particularmente curioso que um diretor insista em se dedicar majoritariamente a produções fantásticas. Enquanto Spielberg segue focado em scripts “mais sérios”, me conforta saber que existe alguém com costas quentes o suficiente para levar às telas histórias de robôs, aliens, gladiadores e astronautas. Porque o cinema pode sim se permitir sonhar de vez em quando.

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Um pensamento sobre “Perdido em Marte – um sci-fi que não é sobre adolescentes tentando derrubar governos

  1. Acho que o maior problema que aconteceu com esse filme foi a expectativa. Meu irmão, por exemplo, falou que não gostou tanto do filme, já que ele tava esperando um filme muito mais denso e profundo, tipo Gravidade. Mas eu não. Eu me senti muito agraciado por um filme tão leve e otimista, não que ele não seja profundo também, mas ele não possui o clima sombrio dos Interestelares recentes. Foi um filme que conseguiu me envolver, torci pro Matt Damon escapar, e me fez sair legitimamente feliz da sala do cinema, e eu acho que isso é o que mais importa. Espero que ele seja reconhecido nas premiações. E pras pessoas que acharam o filme “claro” demais, vou simplesmente pedir para elas reassistirem com outra expectativa, e aí talvez sim elas apreciem mais essa obra tão envolvente.

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