Arquivo da categoria: Oscar

“Vício Inerente” – o noir hippie de Paul Thomas Anderson

De vez em quando aparece algum filme que nos lembra do que o Cinema pode fazer. Em seu novo longa, Paul Thomas Anderson usa toda a sua experiência para transformar “Vício Inerente” (Inherent Vice – 2014) em um ótimo exemplo de sua arte.

inherent vice

O filme é daqueles onde tudo funciona bem. Figurinos, cenários e trilha sonora servem de pano de fundo para atuações excelentes que darão vida à história de Doc (Joaquin Phoenix), um investigador hippie e maconheiro que deve desvendar um caso nesse noir roots.

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Operação Big Hero

Confesso que sou bastante displicente no que diz respeito à animações. Não que eu não goste delas, mas raramente as assisto. Acho que boa parte da culpa disso vem do fato de minha memória afetiva associar “desenho” às saudosas animações 2D da Disney e meu cérebro não conseguir simpatizar muito com esses personagens computadorizados. Mas é claro que tudo isso se dissipa quando a história é envolvente, como é o caso de “Operação Big Hero” (Big Hero 6 – 2014).

BIG HERO 6

 

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“O Juiz” e o legado familiar

Antes de começar esse post, cabe uma ressalva. Enquanto o poster até enganava e vendia uma imagem de Law and Order, o trailer sempre foi honesto: “O Juiz” (The Judge -2014) é sobretudo um filme sobre família.

the judge 1

Todo filme de reencontro que se preze segue a mesma cartilha: a ovelha desgarrada retorna ao lar e é forçada a lidar com um passado mal resolvido.”O Juiz” não é diferente. O filme conta a história de Henry (Robert Downey Jr.), o típico advogado playboy que, ao retornar à sua cidade natal, se vê obrigado a encarar alguns valores que tinha optado por esquecer.

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Para sempre Alice… só que não exatamente.

“Para Sempre Alice” (Still Alice – 2014), o filme que rendeu à Julianne Moore seu primeiro Oscar como Melhor Atriz, conta a história de Alice, acadêmica altamente graduada e professora universitária que recebe um diagnóstico precoce do mal de Alzheimer.

still alice 2

O filme, assim como Alice, é muito eloquente. Seja nas sempre muito bem colocadas palavras de Alice, seja com a direção inteligente que consegue capturar o sofrimento na incapacidade de realizar as menores tarefas cotidianas, o longa se revela como um retrato sincero e respeitoso da realidade de conviver com essa doença.

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Com pequenos atos cria-se alicerce para um monstro – Leviatã e a corrupção como instituição

“Leviatã” (Leviafan – 2014) é daqueles filmes bons para quando a vida parece ser muito difícil porque nos deixa com a clara certeza de que tudo poderia ser infinitamente pior. O representante russo na categoria de “Melhor Filme Estrangeiro” usa como alegoria a história de um homem comum para retratar a impotência de um indivíduo diante de um Estado corrupto.

leviathan 1

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Vestidos prediletos do Red Carpet

Pra encerrar de vez esse papo de Oscar e permitir que a vida siga adiante, eu não resisto e comentarei sobre os meus vestidos prediletos que passaram pelo tapete vermelho.

Primeiro vou fazer uma lista especificando o meu Top 5 e, vale lembrar, o único critério para essa avaliação foi o meu gosto pessoal mesmo.

oscar oprah

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E o Oscar já foi…

A entrega dos Academy Awards coloca de vez um ponto final na temporada de premiações 2015. Mas pra gente poder seguir em frente e começar a se preocupar com a Award Season 2016, vamos comentar o evento.

oscar neil

De modo geral o resultado foi bastante satisfatório, não? Com nenhum prêmio entregue para alguém que não merecesse, a premiação também se permitiu não ser completamente previsível a ponto de ficar interessante. Sem grandes injustiças, sobra apenas espaço para algumas decepções justificáveis apenas por razões que a própria razão desconhece.

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Pressentimentos, calafrios e últimas apostas para o Oscar 2015

Corre que ainda dá tempo de dar um tapa nesse cabelo, estourar uma pipoca e chamar os amigos pra ver aquele monte de gente bonita que a gente ama fingindo cara de surpresa!

meryl

Eu já fiz as minhas apostas para as categorias principais aqui, e apesar de me manter com elas estou com calafrios. Acho que a noite pode ser cheia de surpresas como não era há muitos anos. Ou não, talvez todo mundo continue ganhando a mesma coisa e os bolões estejam a salvo. A surpresa boa que pode acontecer é Birdman ganhar como melhor filme (apesar de eu preferir Boyhood e de Whiplash ser melhor do que os dois juntos). A surpresa ruim é MINHA AMIGA, IMAGINA SE O SNIPER LEVA ALGUMA COISA HEIM??? Enfim. Só nos resta aguardar por esses momentos.

Deixo então aqui algumas apostas técnicas e outras coisas que faltavam.

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Renovando o check in no Hotel Budapeste

Quando começamos a ver o filme, damos de cara com Wes Anderson. Em forma e conteúdo, vemos um gênio nos conduzindo por mais um de seus contos pitorescos onde seus inconfundíveis humor e plástica farão o serviço de nos contagiar mais uma vez com uma história improvável. E com os primeiros acordes da linda trilha sonora de Alexandre Desplat somos então apresentados à doçura de “O Grande Hotel Budapeste” (The Grand Budapest Hotel – 2014).

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Localizado em uma imaginária república européia, o Hotel ganha liberdade total para existir dentro do universo de sonho de Wes Anderson, onde as situações ali imaginadas podem até ter paralelo com eventos reais, porém sem ter que comprometer-se com nenhuma regra. E assim o roteiro que mistura guerra, crime, romance e comédia pode se desenrolar de modo a entreter o espectador em um modo muito genuíno de se fazer Cinema.

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Aquele filme do neném de plástico…

“Sniper Americano” (American Sniper – 2014) é um filme que pode muito bem ser perdido. O novo longa de Clint Eastwood não tenta disfarçar em nenhum momento que é propaganda de um “way of life” que a gente prefere fingir que não existe na América.

Exaltando o que de pior existe na parte superior do continente, vemos uma direção que nos manipula desde o princípio para distorcer e suavizar a realidade que está ali sendo apresentada. O protagonista, o suposto herói interpretado em mais uma performance insossa de Bradley Cooper, aprendeu a caçar enquanto ainda menino. Porque matar deve ser mesmo um esporte valoroso para ser transmitido para uma criança e não é errado, afinal todo mundo foi pra Igreja depois disso. O pai do protagonista fala que não vai criar nenhum filho covarde, mas também não valentão. A violência é exaltada como a virtude máxima quando é feita em nome da defesa de um inocente.  O que seria um discurso até que muito bonito se o pai grande e forte não estivesse tirando o cinto na mesa de jantar para ameaçar seus filhos crianças pequenas.

O protagonista, agressivo, muito agressivo, vê na televisão a notícia de um atentado terrorista. Tivesse ele ficado indignado com a barbarie do ato, tudo bem, o problema é que ele vê ali sua verdadeira vocação: ele sabe que está predestinado a matar essa gente toda. E assim então surge o sniper mais letal da história dos EUA. Assustador.

sniper

 

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