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Simplesmente acontece… porém com ninguém da vida real

As comédias românticas em geral se valem do artifício de acontecerem em um universo paralelo onde tudo sempre dá certo no final. E isso não tem o menor problema. As vezes tudo o que você precisa é descansar um par de olhos cansados em uma fita onde todo mundo é bonito e a vida até finge que vai ser difícil, porém a magia do cinema coloca tudo de volta no seu lugar. Pra quem procura um filminho bobinho/bonitinho/engraçadinho, a pedida da semana é “Simplesmente Acontece” (Love, Rosie – 2014).

love rosie 4

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Renovando o check in no Hotel Budapeste

Quando começamos a ver o filme, damos de cara com Wes Anderson. Em forma e conteúdo, vemos um gênio nos conduzindo por mais um de seus contos pitorescos onde seus inconfundíveis humor e plástica farão o serviço de nos contagiar mais uma vez com uma história improvável. E com os primeiros acordes da linda trilha sonora de Alexandre Desplat somos então apresentados à doçura de “O Grande Hotel Budapeste” (The Grand Budapest Hotel – 2014).

budapest 4

Localizado em uma imaginária república européia, o Hotel ganha liberdade total para existir dentro do universo de sonho de Wes Anderson, onde as situações ali imaginadas podem até ter paralelo com eventos reais, porém sem ter que comprometer-se com nenhuma regra. E assim o roteiro que mistura guerra, crime, romance e comédia pode se desenrolar de modo a entreter o espectador em um modo muito genuíno de se fazer Cinema.

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Aquele filme do neném de plástico…

“Sniper Americano” (American Sniper – 2014) é um filme que pode muito bem ser perdido. O novo longa de Clint Eastwood não tenta disfarçar em nenhum momento que é propaganda de um “way of life” que a gente prefere fingir que não existe na América.

Exaltando o que de pior existe na parte superior do continente, vemos uma direção que nos manipula desde o princípio para distorcer e suavizar a realidade que está ali sendo apresentada. O protagonista, o suposto herói interpretado em mais uma performance insossa de Bradley Cooper, aprendeu a caçar enquanto ainda menino. Porque matar deve ser mesmo um esporte valoroso para ser transmitido para uma criança e não é errado, afinal todo mundo foi pra Igreja depois disso. O pai do protagonista fala que não vai criar nenhum filho covarde, mas também não valentão. A violência é exaltada como a virtude máxima quando é feita em nome da defesa de um inocente.  O que seria um discurso até que muito bonito se o pai grande e forte não estivesse tirando o cinto na mesa de jantar para ameaçar seus filhos crianças pequenas.

O protagonista, agressivo, muito agressivo, vê na televisão a notícia de um atentado terrorista. Tivesse ele ficado indignado com a barbarie do ato, tudo bem, o problema é que ele vê ali sua verdadeira vocação: ele sabe que está predestinado a matar essa gente toda. E assim então surge o sniper mais letal da história dos EUA. Assustador.

sniper

 

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Birdman: a evidente virtude de um trabalho bem feito

Pode até ser que a imprensa geral tenha caído em cima de Boyhood e de sua filmagem espalhada ao longo de 12 anos, mas na comunidade cinéfila as atenções estavam todas voltadas para “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” (Birdman – 2014). Na verdade, os filmes do mexicano Alejandro González Iñárritu – que também dirigiu os famosos Babel e Biutiful, por exemplo – sempre recebem atenção por sua grande qualidade técnica, atenção essa que “Birdman” lindamente decidiu honrar.

birdman 3

Em seu melhor (dentre outros bons) filme até agora, Iñárritu nos insere dentro de um teatro e nos conduz com sua câmera flutuante para seguirmos alguma das figuras que ali habitam, uma de cada vez, para desvendarmos a história que vai se desenrolar ao longo das duas horas seguintes.

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Try (Just A Little Bit Harder) – a perfeição que não cai do céu com Whiplash

“Whiplash: Em Busca da Perfeição” (Whiplash – 2014) não apenas disserta sobre perfeição técnica como também beira esse objetivo. O melhor filme da Award Season além de ser uma verdadeira aula sobre como se fazer cinema é a síntese de várias emoções que circundam veladamente a produção artística.

O filme – escrito e dirigido por Damien Chazelle – conta com várias ideias bastante radicais a respeito da Arte e tinha tudo para ser tremendamente polêmico… mas foi tão bem executado que os espectadores, arrebatados, podem até ter comprado o debate do filme e refletido sobre ele mais tarde, mas antes se deixaram elevar para um estado de êxtase que só o Cinema em sua mais perfeita forma e execução é capaz de proporcionar.

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O roteiro nos apresenta a Andrew Neiman, interpretado lindamente por Miles Teller, um estudante de música que diferentemente da maior parte de seus pares não se contenta com um resultado medíocre. Neiman sabe que sua existência física é mero receptáculo para uma Arte que tem poder para transcender as barreiras do tempo e da morte, e está inteiramente disposto a abrir mão de qualquer outro tipo de desejo secundário para atingir o topo.

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O universo paralelo de “Dois dias, uma noite”

Em “Dois dias, uma noite” (Deux jours, une nuit – 2014) vemos uma talentosa Marion Cotillard tentando nos convencer com sua interpretação sincera e humana em um roteiro que, honestamente, não dá muita margem para isso.

O argumento do filme pode até ser interessante – uma mulher em recuperação de depressão deseja retornar ao trabalho, porém descobre que foi realizada uma votação onde os demais funcionários da fábrica desejaram obter seu bônus de fim de ano ao invés de permitir a reintegração da funcionária afastada. Cabe a ela então a tentativa quase impossível de persuadí-los a abrir mão de uma grande soma de dinheiro à favor do emprego dela.

marion

 

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Os longos “Caminhos da Floresta”

Vocês já andaram em um labirinto? Dependendo do tamanho da estrutura, em certo ponto, por mais bobo que isso pareça ser, é inevitável pensar se você de fato vai conseguir sair dali. Sensação parecida é provocada por “Caminhos da Floresta” (Into the Woods – 2014), um filme de apenas duas horas que magicamente parece durar oito. Nesse novo jeito de Hollywood de fazer musicais – cujo expoente máximo é “Os Miseráveis” (Les Misérables -2012) o objetivo parece ser mesmo vencer o espectador pelo cansaço.

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O prelúdio – onde um menininho canta sobre como queria que a sua vaca desse leite – já dá a dica: o musical vai ser daquelas dolorosas óperas modernas onde até mesmo o mais trivial dos diálogos sente a necessidade injustificável de se converter em música.

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Vale a pena sim conferir “Foxcatcher”!!!

Poucos filmes dessa temporada foram tão injustiçados como “Foxcatcher – Uma história que chocou o mundo” (Foxcatcher – 2014). Sucesso de crítica porém fracasso de público, o filme mal estreou e em breve já deve estar fora do circuito. O que é uma pena, pois bem dirigido e magistralmente atuado, o filme sem dúvidas merece ser visto.

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Com roteiro inspirado por fatos reais, o filme retrata um dos crimes de maior repercussão midiática dos anos 90. E apesar de contar de novo uma história que todo mundo já conhece, o filme é bem construído a ponto de permitir que todos se surpreendam mais uma vez com a chocante história de John du Pont.

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O mundo então conhece um de seus grandes heróis: “O Jogo da Imitação” e a reparação de injustiças históricas

Com a notícia do perdão oficial concedido pela rainha Elizabeth II à Alan Turing no final de 2013 boa parte do público geral descobriu, chocado, a história de um homem que não só salvou o conceito de “mundo ocidental” como o conhecemos hoje como também inventou as “máquinas de Turing”, que posteriormente evoluíram até se tornarem os computadores que eu e você estamos usando nesse momento. Corrigindo essa injustiça histórica que se arrastou por quase 70 anos, chega às telas “O Jogo da Imitação” ( The Imitation Game – 2014), cujo principal mérito é apresentar ao público um homem praticamente anônimo que deveria ser exaltado como um de seus maiores heróis.

alan turning

 

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O superbonitinho “A Teoria de Tudo”

Stephen Hawking é uma das maiores mentes científicas da nossa geração. Ele também é famoso por conviver há 52 anos com uma doença degenerativa que supostamente deveria tê-lo matado aos 23. Pelo que ele não é famoso é, por além de tudo isso, ser também filho, irmão, marido, amigo e pai. Por detrás dos holofotes, a vida real de Stephen Hawking é colocada em foco no concorrente ao Oscar “A Teoria de Tudo” (The Theory of Everything – 2014).

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Com roteiro adaptado do livro de Jane (primeira esposa de Hawking), o filme é contado com a inconfundível doçura de falar de quem se ama. E que doçura. A bonita fotografia e trilha sonora perfeita criam cenário para Eddie Redmayne retratar, em uma performance comedida e certeira, o homem que foi companheiro de Jane (interpretada por Felicity Jones) desde os tempos de faculdade pelos quase 30 anos que se seguiram.

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