Arquivo da tag: Comédia

A crítica pungente (mas com carinho) de “Que Horas Ela Volta”

Não resta dúvidas de que o queridinho do cinema nacional nesse ano é “Que Horas Ela Volta?” (2015).  E o cargo é mais do que merecido. O longa de Anna Muylaert é um afetuoso – e nem por isso menos poderoso – retrato do estranho Downton Abbey brasileiro que acontece entre patrões e suas empregadas.

ela volta 2

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , ,

A realidade embalada em surrealismo de “Frank”

Sob uma observação descuidada e superfícial, “Frank” (2014) parece fadado ao nonsense. Isso porque somos apresentados ao universo dos personagens através da perspectiva de Jon (Domhnall Gleeson), um “indivíduo normal” que se vê imerso no hospício que é a banda Soronprfbs.

frank 4

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Chappie – o robozinho gangsta

Neill Blomkamp impressionou a todos em sua estreia com”Distrito 9″ (2009), onde provou ter herdado o talento dos grandes mestres da ficção científica de usar o fantástico não só como terreno fértil de criação, mas também para alegorizar problemas do presente. Depois de ter derrapado com seu segundo longa, “Elysium” (2013), que apesar de partir de uma boa ideia não conseguiu funcionar muito bem, o diretor nos entrega seu terceiro filme, “Chappie” (2015).

chappie 1

Mais uma vez somos levados a um ambiente urbano distópico que parece ser marca registrada do diretor. Os alienígenas de distrito 9 agora dão lugar às máquinas, e a busca pela inteligência artificial (e as imprevisíveis consequências de sua obtenção) tira o foco do conflito social e revela que agora Blomkamp está interessado em falar sobre o homem e aquilo que o define como tal.

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , ,

“Vício Inerente” – o noir hippie de Paul Thomas Anderson

De vez em quando aparece algum filme que nos lembra do que o Cinema pode fazer. Em seu novo longa, Paul Thomas Anderson usa toda a sua experiência para transformar “Vício Inerente” (Inherent Vice – 2014) em um ótimo exemplo de sua arte.

inherent vice

O filme é daqueles onde tudo funciona bem. Figurinos, cenários e trilha sonora servem de pano de fundo para atuações excelentes que darão vida à história de Doc (Joaquin Phoenix), um investigador hippie e maconheiro que deve desvendar um caso nesse noir roots.

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Os cavaleiros modernos de Kingsman

Dando um chega pra lá nas franquias de agências “sérias” que tentam sem muito sucesso abordar o inverossímil de modo adulto e sisudo, chega às telas “Kingsman – Serviço Secreto” (Kingsman: The Secret Service -2014), para nos lembrar de que as histórias de espionagem encontram sua verdadeira vocação na canastrice.

KSS_JB_D27_02661.CR2

Desde que Jason Bourne acordou naquele barco sem se lembrar de quem ele era o mundo dos filmes de espião nunca mais foi o mesmo. Como indústria eficiente, Hollywood não perdeu tempo em reproduzir o modelo que se tornou sinônimo de sucesso comercial: agora apesar de suas habilidades sobre-humanas e de gadgets impossíveis, os agentes de espionagem deveriam ser “sérios” e supostamente “realistas”. A prova máxima desse fato é de que até o novo Bond, agora na pele de Daniel Craig, foi obrigado a seguir essa cartilha.

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , ,

De volta para o futuro, de novo e de novo

Todo mundo tem “aquele” filme que já viu milhares de vezes mas que nunca perde a graça. Para mim, um desses filmes é “De Volta para o Futuro” (Back to the Future – 1985). No clássico de ficção científica, o cara mais legal do mundo (o inesquecível Doc de Christopher Lloyd) descobre como viajar no tempo e seu assistente, o garoto mais legal do mundo, acidentalmente se torna o primeiro humano capaz de voltar ao passado.

bttf 1

Claro que tal fato pode ter consequências muito sérias. Desavisado, o menino altera drasticamente sua história e se vê obrigado a corrigir isso antes de voltar para sua época, numa desesperada tentativa de garantir o próprio futuro.

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , ,

Renovando o check in no Hotel Budapeste

Quando começamos a ver o filme, damos de cara com Wes Anderson. Em forma e conteúdo, vemos um gênio nos conduzindo por mais um de seus contos pitorescos onde seus inconfundíveis humor e plástica farão o serviço de nos contagiar mais uma vez com uma história improvável. E com os primeiros acordes da linda trilha sonora de Alexandre Desplat somos então apresentados à doçura de “O Grande Hotel Budapeste” (The Grand Budapest Hotel – 2014).

budapest 4

Localizado em uma imaginária república européia, o Hotel ganha liberdade total para existir dentro do universo de sonho de Wes Anderson, onde as situações ali imaginadas podem até ter paralelo com eventos reais, porém sem ter que comprometer-se com nenhuma regra. E assim o roteiro que mistura guerra, crime, romance e comédia pode se desenrolar de modo a entreter o espectador em um modo muito genuíno de se fazer Cinema.

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Birdman: a evidente virtude de um trabalho bem feito

Pode até ser que a imprensa geral tenha caído em cima de Boyhood e de sua filmagem espalhada ao longo de 12 anos, mas na comunidade cinéfila as atenções estavam todas voltadas para “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” (Birdman – 2014). Na verdade, os filmes do mexicano Alejandro González Iñárritu – que também dirigiu os famosos Babel e Biutiful, por exemplo – sempre recebem atenção por sua grande qualidade técnica, atenção essa que “Birdman” lindamente decidiu honrar.

birdman 3

Em seu melhor (dentre outros bons) filme até agora, Iñárritu nos insere dentro de um teatro e nos conduz com sua câmera flutuante para seguirmos alguma das figuras que ali habitam, uma de cada vez, para desvendarmos a história que vai se desenrolar ao longo das duas horas seguintes.

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , ,

Os longos “Caminhos da Floresta”

Vocês já andaram em um labirinto? Dependendo do tamanho da estrutura, em certo ponto, por mais bobo que isso pareça ser, é inevitável pensar se você de fato vai conseguir sair dali. Sensação parecida é provocada por “Caminhos da Floresta” (Into the Woods – 2014), um filme de apenas duas horas que magicamente parece durar oito. Nesse novo jeito de Hollywood de fazer musicais – cujo expoente máximo é “Os Miseráveis” (Les Misérables -2012) o objetivo parece ser mesmo vencer o espectador pelo cansaço.

into the woods emily

O prelúdio – onde um menininho canta sobre como queria que a sua vaca desse leite – já dá a dica: o musical vai ser daquelas dolorosas óperas modernas onde até mesmo o mais trivial dos diálogos sente a necessidade injustificável de se converter em música.

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Pulp Rivotril – a catarse violenta de Relatos Selvagens

É difícil não comparar Pulp Fiction com Relatos Selvagens (Relatos Salvajes – 2014), o filme argentino sensação do ano passado. Ambos filmes contam com relatos episódicos que culminam em uma explosão de violência. Mas se por um lado na antologia de Tarantino os personagens vem de um submundo de crime, violento já em sua premissa, as pessoas de Relatos são apenas gente comum que diante do extremo perdem a calma. E fazem isso gloriosamente.

relatos noiva

Escrito e dirigido por Damián Szifrón, o filme conta com seis histórias sem conexão entre si porém alinhavadas sob o mote da agressividade. Relatos Selvagens propõe uma reflexão sobre o que é a raiva, seja ela apresentada em forma bruta por explosões de ira ou em retaliações mais elaboradas. A antologia faz questão de atestar: seus personagens jamais perdem a cabeça. Fugindo do consenso simplista que associa raiva à instabilidade psíquica, aqui ela é mostrada como uma resposta orgânica de emoções tão intensas que extrapolam as regras de civilidade. Resposta essa com inclinação para a tragédia, naturalmente, mas nem por isso menos racional.

Continuar lendo

Etiquetado , , , , , , , , , , ,