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Quem você quer ser hoje? Pluralidade de estilos na Temporada de Inverno RTW 2015 de Nova Iorque

Prêt-à-porter, ready to wear, basicamente tudo aquilo que define o que conhecemos hoje como consumo de moda e é oposto à antiga arte de desenhar roupas sob medida. Foi exibido na Big Apple entre os dias 06 e 13 de Fevereiro tudo o que veremos nas lojas e nas ruas na Temporada de Inverno RTW 2015 de Nova Iorque.

Com coleções de modelagens e cores distintas entre si a semana no entanto chega em um consenso: a moda agora é o que você quiser dela. Mais do que a máxima do “seja você mesmo” a pedida agora é ser quem você quiser e ter a liberdade para escolher o figurino que melhor se adaptar ao personagem do dia. Desde que esse personagem viva nos anos 70, obviamente.

E como estamos falando de produção de massa é claro que as proporções hiperbólicas se refletem também no tamanho do evento e na quantidade de grifes, por isso optei por dividir o post em duas partes. Mas sem drama porque a parte dois vem logo na sequência! Agora então se prepara, faz carão e vem comigo conferir o que rolou de mais interessante na fashion week.

KATE SPADE

Na característica releitura cartunesca e jovem da mulher Valentino (só eu que acho isso? Risos), as meninas da Kate Spade aparentemente continuarão com seu estilo “lady like” irreverente e saturado, na tradição da marca de levar cor, diversão e romantismo para a selva urbana. Ou seja, sem novidades e mais do que as clientes da marca já amam consumir.

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JASON WU

Em um salto de elegância em relação à sua (fraca) coleção anterior, o eleito da nossa querida Michelle Obama levou para a passarela uma paleta de cores noir sexy em vestidos lânguidos que poderiam muito bem ter saído do boudoir de algum filme antigo, que contrastam com sobreposições pesadas criando uma atmosfera misteriosa, fazendo de suas modelos quase borboletas que tem de quebrar duras cascas de casulo. O uso do cetim, do veludo molhado e de um certo orientalismo não deixam dúvidas: o lado glamouroso dos anos 70 está definitivamente de volta.

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ALEXANDRE HERCHCOVITCH

A gente ama o Alexandre e fica muito orgulhoso de ver o nosso menino brilhando na NYFW, mas não dá pra deixar de dizer que parece que ele está com medo de brincar muito longe de casa. Em uma coleção visualmente bastante semelhante à anterior e  com uma paleta de cores idêntica, Herchcovitch faz um desfile muito bonito e competente e entrega um inverno brasileiro com carinha de verão , mas com gostinho de repeteco . Desce pro play, Alê!

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DIANE VON FURSTENBERG

Diane, como sempre, estava se divertindo muito. A mulher que veste suas roupas é autêntica, sensual e confortável com seu corpo e Diane continua criando peças possíveis para corpos e rotinas plausíveis sem cair na monotonia. Desnecessário dizer que ela é uma das minhas pessoas favoritas no mundo, necessário porém dizer que a coleção é semelhante com coisas que ela já fez, o que não necessariamente é ruim e pode ser interpretado como sendo a identidade forte da label. Reciclagens à parte (que no caso de Diane se justificam completamente sob o legado de libertação de seus envelopes) a coleção estava coesa,prática, bonita e bastante alegre. E dourado, metálico, anos 70/80? Você já entendeu, né?

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CAROLINA HERRERA

Carolina Herrera saiu do seu jardim oriental do inverno passado e nos mostrou uma coleção diferente. Ainda que vestidos fluidos de estampas pequeninas ainda dividam o espaço com peças chamativas de cores sólidas, o perfume desse ano é o de uma housewife sessentista. Se a tendência nos puxa para o final dos anos 70, Carolina Herrera atrasa mais ainda o relógio e nos leva para a década anterior. Interessante e elegante.

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DONNA KARAN

Fugindo totalmente da sobriedade e dos tons terrosos do inverno passado a estação de Donna Karan vem sexy equilibrando cortes de alfaiataria que remetem ao universo masculino com a leveza e suavidade das transparências. Muitas fendas e tecidos acetinados dão o tom setentista glam  E VOCÊ NÃO AGUENTA MAIS LER ISSO.

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ZAC POSEN

Se Hitchcock ainda estivesse vivo ele convidaria Zac Posen para assinar o figurino de seu próximo filme. Com a sobriedade de tons noir e vestidos acinturados seguindo a escola do New Look, Zac Posen entrega uma coleção totalmente diferente da anterior, bem mais rebuscada, e dessa vez opta pelo uso de cores sólidas deixando o impacto por conta de seus cortes. A coleção se destaca em meio a tantas outras que bebiam nas mesmas referências setentistas e conquistou o posto de uma das melhores da semana. Zac Posen continua materializando sonhos através de suas roupas e se isso não é alta costura não sei o que é.

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RESUMÂO

Kate Spade continua fazendo as mesmíssimas coisas pro mesmíssimo público da marca que já é cativo. Jason Wu fez uma coleção de alto nível e elegante, com tons noir seguindo uma linha parecida de Donna Karan, com o diferencial da alfaiataria provocante da última. Sexy! Alexandre Herchcovitch tá em alguma zona de conforto mas a gente ama ele mesmo assim. Diane é Diane e enquanto ela continua fazendo roupas práticas para a mulher que trabalha fora e conquistou o mundo,Carolina Herrera volta para o lar e se inspira em Amélia, que era mulher de verdade. Zac Posen colocou as recalcadas pra dormir na BR com a sua coleção de extremo bom gosto e acabamento impecável, criando coisas tão lindas que dá até pra imaginar a princesa Grace Kelly as vestindo.

P.S.: O post será atualizado conforme foram lançados os vídeos com os desfiles.

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O glamour de Las Vegas nos anos 70, a manutenção de ícones e uma paródia bizarra de “O Rei Leão”: Resumo da Semana de Moda de Paris

Hoje vi que o post vai ser cheio de glamour, meu bem.

Paris é a capital da moda. Todo mundo já ouviu isso, certo? Por mais que o eixo fashion tenha se espalhado por outras metrópoles como Milão e Nova Iorque e atualmente não faça mais muito sentido dizer isso, a relação histórica de Paris com a nata da indústria têxtil se mantém viva no imaginário das pessoas.Um império construído em cima de musseline, brocados e muita choradeira, o berço das grandes maisons respira moda durante duas semanas no ano. A atmosfera da cidade muda para receber milhares de fotógrafos, modelos e desfiles e o que acontece ali tem o poder profético de dizer o que veremos nas ruas pelos seis meses seguintes. Senhoras e senhores, coloquem os óculos escuros e caprichem no bate cabelo porque a pauta de hoje é quente: o Verão Haute Couture 2014 apresentado na Semana de Moda de Paris.

VALENTINO

(Disclaimer: estou me esforçando até o limite da sanidade para manter o distanciamento jornalístico ao falar de Valentino)

Enquanto a coleção de verão anterior da marca nos mostrou uma silhueta lady like com inspiração elizabetana sem perder a fidelidade aos ícones da maison, a coleção presente vem… diferente. Exceto por um modelo ou outro que não fazem o menor sentido de estarem alí com as outras peças, como o longo fluido estampado com notas musicais que saiu direto da passarela para o tapete vermelho do Grammy trajado por Kate Perry, a coleção toda parece o figurino de um filme de fantasia com o safari das ninfas (recatadas e sérias) da floresta. As cores vêm quentes, terrosas e a inspiração africana é didática até demais. A compostura da mulher Valentino está lá e embora seja interessante ver a marca brincando fora de sua zona de conforto é impossível de notar que o saldo geral da coleção parece um tanto quanto confuso, desnecessário e… passe.

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Não, espera, vídeo errado.

Agora sim.

JEAN PAUL GAULTIER

O verão anterior da maison teve aquela vibe Aladin-pirata bizarríssima (“David Bowie curtiu isso”) e este ano nós tivemos… borboletas! Borboletas por toda parte! Nos cabelos, nos cortes ousados, nas cores, borboletas EM-TODA-PARTE! E foi divertidíssimo. O desfile teve uma atmosfera de Moulin Rouge circense e para completar teve a aparição de Dita von Teese em um delicioso corpete de… borboleta! E você já entendeu que vai usar cetim colorido no verão, certo? (Ou sei lá, você pode seguir a outra proposta usar um saco marrom (???) que nem a Valentino te sugeriu).

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ELIE SAAB

Elie Saab continua empenhado em fazer as roupas que a gente sonha em ter. E basicamente é isso. Sem muita inovação e nenhum conceito, bordados de babar e vestidos deslumbrantes. Tudo muito lindo e bem acabado. Apesar de a paleta de cores ter sido um pouco mais ousada dessa vez, não deixa de ser tudo mais do mesmo. E eu acho que vai ser assim pelo resto da vida.

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ARMANI PRIVÉ

Depois do colorido oriente chique da coleção passada a atual vem toda trabalhada no Radiant Orchide do jeitinho que a Pantone gosta, do jeitinho que a Pantone quer. Brincando com diferentes materiais a coleção se mantém coesa em variados tons de roxo e muita gravataria, misturando anos 20 e Índia. Bonita e suntuosa.Tudo bastante usável, não vão ser necessárias muitas releituras e interpretações para adaptar ao prêt-à-porter.

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DIOR

Enquanto o verão passado foi floral e leve para Dior, o deste ano vem em tons tão sóbrios que não fossem a leveza dos tecidos e o uso marcante de laise pareceria um inverno. Sem perder as características da marca, no entanto, a mulher Dior este ano está mais para “Dior Addict” do que para a jovial e brincalhona “Miss Dior”. Mas ela continua muito bem vestida, como sempre.

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CHANEL

Se a coleção passada da marca estava ousando um pouco mais, beirando o surrealismo, essa é um total resgate aos ícones da maison. Karl Lagerfeld prova que é o sucessor definitivo de Mademoiselle Chanel ao se manter fiel à imagem quase mítica da marca fazendo com que tudo soe ao mesmo tempo tradicional e deliciosamente contemporâneo. Apesar de as pérolas terem dado seu lugar à tênis coloridos, estão lá o tailleur, o tweed e as camélias em uma mistura clássica quase fetichista da marca que sempre é a primeira a ser lembrada quando se pensa em mercado de alto luxo.

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VERSACE

E agora a coqueluche da semana. A coleção mais incrível, na minha opinião, foi a da Versace. A coleção anterior foi marcada pela saturação das cores em uma estética futurista exagerada de gosto discutível. As cores retornam esse ano, porém elevadas à um patamar de elegância sem precedentes. Em voluptuosos vestidos de cetim colorido que foi resgatado do “cantinho do brega” onde estava sentado desde o fim dos anos 80 e colocado de volta na roda do alto luxo fica bastante clara uma atmosfera “cassino glam”. E é tudo uma delícia. O desfile que abriu a temporada de moda pode ter sido o primeiro a ser visto, mas isso não impediu que fosse o último a ser esquecido. Inspirada na cantora oitentista Grace Jones, Donatella nos ofereceu uma coleção sexy, provocativa, arrojada e repleta de informação de moda. Em outras palavras, tudo o que a gente sempre espera e raramente recebe. O momento “ego ostentação” de Donatella ao adotar como trilha sonora a música de Lady Gaga que repete incansavelmente sue nome foi compreensível: ela sabe perfeitamente que arrasou e esse ano ela pode tudo. Absolutamente hipnotizante.

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RESUMÃO

Muito bem crianças. Então vamos ao nosso resumo final. Valentino despirocou e fez uma coleção muito cenográfica e chata. Gautier estava se divertindo muito com as suas borboletas e deixou todo mundo feliz no processo. Elie Saab continua fazendo as roupas de casamento mais lindas que você vai ver na vida e pra Armani o verão vai ser muito chique e ROXO. Dior quer que a gente use muito laise pra ficar fresquinha no verão e Chanel é Chanel. A surpresa da semana ficou por conta da Versace que apresentou uma coleção toda incrível e DEITOU.

COISAS QUE A GENTE VAI VER NA RUA E NAS VITRINES

Muito cetim. MUITO cetim. Repetindo: CETIM. O verão promete adotar duas vertentes: a das cores sólidas saturadíssimas e o minimalismo do preto e branco. O verão vai vir chique e luxuoso, de um jeito que a gente só estava acostumado a ver no inverno. E vai ser possível dar algumas risadas na paulista domingo à tarde com os “moderninhos” que vão acreditar piamente que “a pochete vai voltar”.

Conclusão: às vezes “visão” não é necessariamente inovação, e sim saber retomar as coisas certas.

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