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E o Oscar já foi…

A entrega dos Academy Awards coloca de vez um ponto final na temporada de premiações 2015. Mas pra gente poder seguir em frente e começar a se preocupar com a Award Season 2016, vamos comentar o evento.

oscar neil

De modo geral o resultado foi bastante satisfatório, não? Com nenhum prêmio entregue para alguém que não merecesse, a premiação também se permitiu não ser completamente previsível a ponto de ficar interessante. Sem grandes injustiças, sobra apenas espaço para algumas decepções justificáveis apenas por razões que a própria razão desconhece.

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Pressentimentos, calafrios e últimas apostas para o Oscar 2015

Corre que ainda dá tempo de dar um tapa nesse cabelo, estourar uma pipoca e chamar os amigos pra ver aquele monte de gente bonita que a gente ama fingindo cara de surpresa!

meryl

Eu já fiz as minhas apostas para as categorias principais aqui, e apesar de me manter com elas estou com calafrios. Acho que a noite pode ser cheia de surpresas como não era há muitos anos. Ou não, talvez todo mundo continue ganhando a mesma coisa e os bolões estejam a salvo. A surpresa boa que pode acontecer é Birdman ganhar como melhor filme (apesar de eu preferir Boyhood e de Whiplash ser melhor do que os dois juntos). A surpresa ruim é MINHA AMIGA, IMAGINA SE O SNIPER LEVA ALGUMA COISA HEIM??? Enfim. Só nos resta aguardar por esses momentos.

Deixo então aqui algumas apostas técnicas e outras coisas que faltavam.

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Pulp Rivotril – a catarse violenta de Relatos Selvagens

É difícil não comparar Pulp Fiction com Relatos Selvagens (Relatos Salvajes – 2014), o filme argentino sensação do ano passado. Ambos filmes contam com relatos episódicos que culminam em uma explosão de violência. Mas se por um lado na antologia de Tarantino os personagens vem de um submundo de crime, violento já em sua premissa, as pessoas de Relatos são apenas gente comum que diante do extremo perdem a calma. E fazem isso gloriosamente.

relatos noiva

Escrito e dirigido por Damián Szifrón, o filme conta com seis histórias sem conexão entre si porém alinhavadas sob o mote da agressividade. Relatos Selvagens propõe uma reflexão sobre o que é a raiva, seja ela apresentada em forma bruta por explosões de ira ou em retaliações mais elaboradas. A antologia faz questão de atestar: seus personagens jamais perdem a cabeça. Fugindo do consenso simplista que associa raiva à instabilidade psíquica, aqui ela é mostrada como uma resposta orgânica de emoções tão intensas que extrapolam as regras de civilidade. Resposta essa com inclinação para a tragédia, naturalmente, mas nem por isso menos racional.

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Liberdade em mil milhas

Confesso que estava com um pouco de preguiça para assistir à “Livre” ( Wild – 2014). Estava certa de que seria o filme mais chato da Award Season e já nutria expectativas de encontrar o remédio definitivo para a insônia persistente que me acompanha desde que eu me entendo por gente. Nunca fiquei tão feliz por estar completamente enganada.

wild

O filme conta a história real de Cheryl Strayed que, devastada pelo luto, entrou em um ciclo de comportamentos destrutivos. Para romper com velhos hábitos e se preparar para uma nova etapa de sua vida , Cheryl decide percorrer sozinha a Pacific Crest Trail (PCT), uma trilha que rasga os Estados Unidos e começa na fronteira sul do país com o México para terminar na fronteira com o Canadá.  Em sua caminhada solitária ela então visita as memórias de um passado difícil e tem que superar obstáculos físicos e emocionais.

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Apostas, previsões e chorumelas para o Oscar 2014

Hoje vi que o post vai ser místico

Existem duas coisas que são unânimes dentro da comunidade cinéfila:

1- Todo mundo ama dizer o quanto o Oscar é um prêmio irrelevante e injusto.

2- Todo mundo espera o ano inteiro pra poder apostar em quem vai ganhar o prêmio. E é a maior diversão da Terra.

Então capricha no delineador, coloca o Tarot na mesa e dá o play:

Ignorando as categorias mais técnicas nas quais eu nem me arrisco a dar um palpite sério, vamos começar porque hoje a gente vai brincar de adivinhação.

Na categoria de Melhores Efeitos Visuais estão concorrendo Gravidade; O Hobbit: Desolação de Smaug, Homem de Ferro 3, O Cavaleiro Solitário e Star Trek – Além da Escuridão. O que chama mais a atenção é o fato de “Círculo de Fogo” e “Homem de Aço” não estarem entre os concorrentes enquanto “Homem de Ferro 3” está na lista. Na verdade, imaginem a cena: você é um membro votante da academia e recebe seus dvds de screener que incluem alguns dos melhores filmes do ano e entre eles aparece… “Homem de Ferro 3”. Imagine o constrangimento! Enfim. como preciso escolher um só vou me arriscar a apostar em Gravidade, mesmo que “Star Trek” seja um concorrente igualmente forte. Mas acho que “Gravidade” deve abocanhar praticamente todos os prêmios técnicos da noite (merecidamente).

No sir. You didn’t. Shhh!

Para Melhor Figurino os destaques são Trapaça e o Grande Gatsby. Acredito que Gatsby com a seu belíssimo guarda roupa grifado dos anos 20 leve a estatueta, mas eu ficaria igualmente feliz se “Trapaça” ganhasse (na verdade eu já estou bastante feliz que o figurino do filme tenha entrado na lista, porque ele é de fato impecável). Não apostarei em Maquiagem porque desde que “Hitchcock” perdeu o prêmio para as manchas de carvão de “Os Miseráveis” eu decidi nunca mais apostar nessas coisas.

De Melhor Fotografia eu vou dar a louca e chutar que quem ganhará será O Grande Mestre porque esses filmes de artes marciais costumam ter uma fotografia bonita mesmo. O prêmio de Melhor Animação deve ficar com a Disney de novo por conta de Frozen, mas eu estranhei muito que “Universidade Monstros” não tenha aparecido na lista de indicados. E quanto à categoria de Melhor Filme Estrangeiro, confesso que ainda não consegui assistir à nenhum deles. Mas se tivesse que fazer uma suposição, acho que Alabama Monroe leva o prêmio por ser um filme Belga cuja história poderia muito bem se passar naquela América romântica dos filmes country.

E pra encerrar a sessão de apostas nas categorias que ninguém liga para chegarmos logo na parte que vocês querem ler, vamos finalizar com as minhas apostas para roteiro e uma história interessante. Concorrem à Melhor Roteiro Adaptado: Antes da Meia Noite; Capitão Phillips; Philomena; 12 Anos de Escravidão e O Lobo de Wall Street. E creio que a estatueta deva ficar para um desses dois últimos. Se tiver que apostar em um só, seria no Lobo. Enquanto isso para Melhor Roteiro Original concorrem Trapaça, Ela, Clube de Compras de Dallas, Nebraska e… Blue Jasmine. Ela provavelmente levará o prêmio por sua temática ousada e inovadora, mas a tal história não era sobre “Ela”… é sobre a suposta originalidade do roteiro de “Blue Jasmine”. O filme é inquestionavelmente excelente (poderia inclusive estar concorrendo como Melhor Filme), apenas estranhei a indicação por conta de uma outra coisa que já existe, chamada “Um Bonde Chamado Desejo”.

jasmine

“Um Bonde Chamado Desejo” é uma peça de autoria de Tennessee Williams que foi adaptada em um clássico filme de 1951 com as inesquecíveis interpretações de Vivien Leigh e Marlon Brando. A mesma peça foi readaptada em um filme para a TV de 1995, dessa vez protagonizado por Jessica Lange e Alec Baldwin. Para quem nunca assistiu à nenhuma das adaptações, vou fazer uma breve sinopse:

Blanche DuBois é uma moça dotada de uma postura aristocrática que não condiz com a sua condição econômica ou social. Completamente falida, se vê obrigada a ir morar com sua irmã com quem não mantinha contato há muitos anos. A irmã é boa pessoa mas sempre se sentiu inferiorizada diante do glamour de Blanche, apesar de ter sido sempre mais pé no chão e ter uma vida estruturada justamente por estar em contato com o mundo real. Ela tem auto-estima baixa e vive numa situação de submissão à um parceiro abusivo, em um relacionamento fortemente baseado em desejo sexual. Blanche não é má pessoa, apesar de ser fútil, o que faz com que sintamos pena dela e compreendemos que ela fez o melhor dentro das coisas que conhecia. No processo para tentar melhorar de vida, ela crê que o casamento é sua única saída e tenta conquistar um noivo com base em mentiras que são rapidamente desmascaradas. O roteiro expõe Blanche em todas as suas fragilidades de forma bastante crua e impiedosa e culmina na decadência total da personagem.

“Blue Jasmine” é uma excelente adaptação moderna da peça de Tennesse Williams.

E agora, senhoras e senhores, vamos às categorias explosivas. Aquelas que seguram a gente no sofá até o fim da premiação e vão ser assunto no dia seguinte.

Vamos ao curral de injustiças, aquela categoria que faz as histórias que a gente nunca esquece como quando Leonardo DiCaprio perdeu o prêmio que merecia por “O Aviador” ou quando Gwyneth Paltrow GANHOU o prêmio que estava disputando com ninguém mais ninguém menos que Meryl Streep, Fernanda Montenegro e a injustiçada óbvia da noite, Cate Blanchet.

 

Como Melhor Ator Coadjuvante não prevejo muitas surpresas. O prêmio deve ficar mesmo com Jared Leto por sua atuação em “Clube de Compras de Dallas” que já lhe rendeu todos os outros prêmios disponíveis na temporada. Leto precisava mesmo de um Oscar em casa, não só por ser bom ator mas por escolher a dedo os filmes em que participa. Vale lembrar que ele também ganhou o troféu “Dorian Gray da Vida Real” por ter 42 anos com carinha de 22. Vou ignorar o fato de Bradley Cooper ter sido (absurdamente) indicado para essa categoria parar evitar o stress. Já na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante fomos presenteados com a “pegadinha do destino” do ano. Lembram do ano passado quando Jennifer Lawrence ganhou o Oscar sem merecer por um filme que apesar de ser muito legal não deveria estar ali concorrendo para coisa alguma? Então. Este ano ela está concorrendo à Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação incrível no filme “Trapaça” e mereceria muito ganhar. Só que acho difícil darem um Oscar consecutivo para ela, portanto vou apostar que a estatueta vai pra casa da Lupita Nyong’o por “12 Anos de Escravidão”.

leto

Na categoria de Melhor Atriz o universo deve restaurar seu equilíbrio e a musa Cate Blanchet levará o prêmio (na verdade eu acho que deveriam ir na casa da Gwyneth, pegar o prêmio que está lá indevidamente e entregá-lo nas mãos da Cate). Mas de qualquer forma a performance de Cate em “Blue Jasmine” foi irretocável. Sua Blanche  Jasmine jamais será esquecida. Na minha opinião a categoria mais imprevisível da noite é a de Melhor Ator porque temos três concorrentes bastante fortes. Seguindo a lógica de merecimento, Leonardo DiCaprio merece por ter feito um ótimo trabalho e ser um dos melhores atores de sua geração e ainda não ter ganho nenhum prêmio da Academia. No entanto ele mereceu o prêmio de verdade por “O Aviador”, e já fez coisas melhores que ” O Lobo de Wall Street” sem ter sido premiado. Na outra base do triângulo temos Matthew McConaughey que vem muito forte nas premiações e já ganhou o Globo de Ouro e o SAG por sua atuação em “Clube de Compras de Dallas” (alguém mais tá se rasgando pra assistir? Fevereiro vai demorar muito?). Considerando o número de quilos que ele perdeu para o papel e o fato de que não é tão frequente assim vê-lo em bons filmes, é quase seguro dizer que o prêmio já é dele. Mas na ponta do triângulo aparece ele, um dos maiores astros de Hollywood atualmente e que dá grandes atuações desde sempre (sim, sempre, “Império do Sol” tá aí pra provar isso): Christian Bale. Só não é justo dizer que Lawrence rouba a cena de “Trapaça” porque Bale também está lá, em uma grande performance. Com fatores levemente subjetivos devido ao agravante “ator predileto” e por contratos de fidelidade no clube das tietes, minhas aposta e torcida vão para ele. Que está realmente ótimo.

bale

Como Melhor Diretor eu estou me arriscando a apostar em Alfonso Cuarón por “Gravidade”. O filme é incrível, ele já ganhou o Globo de Ouro e acho que levará mais esse prêmio pra casa. Mas talvez… Não sei. Se “12 Anos de Escravidão” não levar como melhor filme prevejo sérios riscos de seu diretor, Steve McQueen, levar o prêmio para casa. E por falar em Melhor Filme, o terreno é bem arenoso. Ta aí uma categoria onde eu sempre aposto errado. O mais óbvio seria pensar que 12 Anos de Escravidão é vitória garantida. Todo mundo gostou do filme (que eu estou ansiosíssima para ver, a propósito), ganhou o principal prêmio no Globo de Ouro…. mas existe uma coisinha no caminho que se chama Trapaça. O filme é bom, o elenco é afiadíssimo (ganhou inclusive o prêmio máximo no SAG e o Globo de Ouro como Melhor Filme de Comedia), a academia ama o David O. Russell… então não seria surpresa pra ninguém se Trapaça embolsasse a estatueta, por isso vou apostar nele.

E vocês? Estão apostando em quem? Pra quem vai a torcida de vocês?

A lista completa dos indicados você pode conferir aqui. A entrega dos Academy Awards acontecerá no dia 02 de Março e será transmitida ao vivo pela TNT.

Conclusão: É muito triste viver num mundo onde Gwyneth Paltrow tem um Oscar. Ainda bem que pra compensar a Cher também tem um e a cara de recalcada da Sally Kirkland compensa qualquer sofrimento que tivemos na vida.

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